Meu Relato de Amamentação

Atualizado: 28 de Out de 2020

Já que estamos em Agosto Dourado, mês da conscientização sobre os benefícios da amamentação, resolvi escrever o meu relato de amamentação.


Há 4 anos atrás, nasceu minha primeira filha. Durante toda a gestação, eu li muito sobre o desenvolvimento fetal e outros assuntos relacionados à gravidez e pós parto. Na época eu ainda não era Baby Planner e não tinha estudado sobre o assunto.


Li sobre amamentação, pega correta, tipos de bico, colostro, etc. Mas sempre vi imagens de mulheres amamentando com plenitude. Portanto, achava que amamentar não seria tão difícil assim.

Meu obstetra deu algumas dicas para preparar as mamas para a amamentação e formar o bico (já que meu bico era plano, ou seja, poderia ser difícil o bebê abocanhar). Fiz tudo o que ele me instruiu e achei que seria o suficiente.


Se eu pudesse voltar em 2015 e dar um conselho para a Raquel daquela época, eu diria: Prepare-se para amamentar, busque informação de qualidade e profissionais qualificados para esse processo, pois, não é tão fácil quanto parece.

Após meu segundo parto, vi a enorme diferença que a informação faz.


Imagem: Freepik.com

Primeiro Filho

Logo que minha filha nasceu, ela foi colocada no meu peito para sugar. Esse procedimento é denominado "Golden Hour" e é realmente uma hora de ouro para o sucesso da amamentação. O recém nascido nasce com instinto de sugar e o corpo da mãe é perfeito para entender que o bebê nasceu e precisa produzir leite (ou colostro, que é produzido logo após o parto).


Minha filha não pegou o peito na sala de parto, mas depois no quarto, com a ajuda da enfermeira, conseguimos fazer ela sugar e começar a mamar. Perfeito, certo? Ainda não, mas já é um primeiro passo para o processo.


Mama Acessória


Ainda na maternidade, minhas axilas incharam absurdamente e ficaram super doloridas. Mostrei à enfermeira e ouvi pela primeira vez o termo "Mama Acessória". É uma glândula mamária fora das mamas. No meu caso, nas axilas. Os embriões possuem várias mamas distribuídas em uma linha que vai da axila até a região genital. Porém, elas atrofiam e restam apenas os seios. Não se sabe ao certo o motivo, mas em algumas pessoas, essa regressão não ocorre por completo e restam mamas nesta linha. O mais comum é nas axilas, como é o meu caso.


Com a produção de leite pós parto, essas glândulas incharam e era necessário fazer compressa para reduzi-las.


Quando fui para casa e o leite desceu pra valer, essas glândulas pioraram significativamente e precisei fazer compressas várias vezes ao dia.


Mastite e Ingurgitamento


A produção de leite aumentou, mas a minha filha não mamava no mesmo ritmo. As mamas começaram a ficar duras e quentes. Então, além de fazer compressas nas axilas, tinha que fazer nas mamas também.


Meu obstetra já havia me falado sobre a importância de massagear as mamas para evitar o ingurgitamento (uma sensação de empedramento e mamas muito cheias). Apesar de eu ter feito a massagem algumas vezes e usar a bomba extratora de leite manual (que por sinal, é horrível, porque dói a mão e extrai pouquíssimo leite), não foi suficiente para evitar a mastite.


Mastite é uma infecção causada pela obstrução do canal de leite.


Com apenas 7 dias pós parto, tive que ir para o pronto socorro, pois estava com febre e muita dor. Foi necessário tomar antibiótico, mas a amamentação foi mantida. Além disso, reforcei a massagem e as compressas até melhorar.


Fissuras


As fissuras no bico dos seios é comum nas primeiras semanas de amamentação. O atrito constante com a boca do bebê deixa a região mais sensível e se a pega não estiver correta, pode piorar a situação e causar até sangramentos.


Lembro bem da sensação de dor que eu senti e como tudo isso me deixou exausta: fissura, dor, seio endurecido, axilas inchadas e doloridas. E no meio dessa rotina maluca com um recém nascido, eu ainda tinha que encontrar tempo para cuidar das minhas mamas.


Aprendi a tirar o bebê das mamas e reposicioná-lo sempre que percebia que a pega estava errada. Foi um longo processo, mas com o tempo deu certo.


Tentei usar as conchas de silicone da Avent, mas confesso que me incomodava bastante. O único procedimento que usei para melhorar as fissuras com sucesso, foi a pomada de Lanolina da Lansinoh após cada mamada. Foram várias semanas de uso, até melhorar e só consegui amamentar bem, sem dor, após o primeiro mês.


Pomada Lanolina Lansinoh


Persistência


Esse sofrimento crítico demorou cerca de 15 dias para melhorar, mas a amamentação só fluiu naturalmente e me vi na cena da mãe amamentando com plenitude após o primeiro mês. Ou seja, existe luz no fim do túnel.

Mediante essa experiência, eu costumo dizer que o universo conspira contra a amamentação. É dor, fissura, seio empedrado, leite vazando, roupas adequadas que nem sempre são bonitas, sociedade criticando amamentação em público, restrição de bebidas alcoólicas e em alguns casos até mesmo restrição alimentar, etc... A mãe tem que ter muita força de vontade para conseguir amamentar. Mas ainda mais importante é a rede de apoio, ou seja, ter incentivadores por perto, como o pai do bebê, a mãe da mãe, sogra, amigas e outros familiares.

Se durante esse processo de dor, dificuldade, noites mal dormidas, a rede de apoio falhar e começar a incentivar o uso de fórmula infantil, minha amiga, a chance de você desistir, é enorme.


O pai pode (e deve) ajudar na amamentação, com incentivo. Sério, papais, vocês não sabem como essa ajuda é importante.


Segundo Filho


Meus filhos tem diferença de 4 anos, e no decorrer desse período, eu me formei como Baby Planner e estudei sobre amamentação.


Durante a gravidez, eu me atualizei sobre o tema e confesso que lá no fundo eu tinha esperança de que desta vez, fosse mais fácil. Mas me preparei para todas as dificuldades.

Eu tive exatamente as mesmas dificuldades da amamentação da minha primeira filha, mas consegui me preparar e minimizar os impactos de cada uma delas.

Mama Acessória

A tal mama na axila resolveu dar as caras ainda durante a gravidez, mas não havia muito o que fazer.


Quando o leite desceu e a axila realmente inchou e começou a ficar dolorida, eu já comecei a fazer as compressas.


Meu obstetra recomendou compressa morna (não pode ser muito quente) e de fato, é muito mais confortável do que a compressa fria.


Eu fazia compressa durante o banho e mais 2x ou 3x ao dia com bolsa térmica de gel.

Em cerca de 3 dias, já estava bem melhor, sem dor.

Mastite e Ingurgitamento

A solução foi a mesma da mama acessória: Compressa Morna!